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online
Cuidado!
Se olhar muito...
pode virar pedra.
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| domingo, 13 de novembro de 2005 |
Que eu adoro literatura latina, nem é novidade.
A mais louca e lírica de todo o mundo.
E porque eu precisava de ternura, me cai às mãos Memórias de minhas putas tristes.
O título lindo, já me derruba.
O autor... colombiano, genial e doce, é promessa certa de horas silenciosas, banhadas de pôr-do-sol.
E vão desculpando o exagero na pieguice, mas García Márquez, pra mim, é puro pôr-do-sol.
Decidi há pouco, vou reler o livro.
Talvez roubá-lo de quem me emprestou. Ou então comprar um. Só pra mim.
Depois, escutar sussurros em espanhol, na escuridão da minha estante: "Lidiane, mi dulce Delgadina"...
Se quero um amor daqueles do livro pra mim?
Já tenho um amor daqueles do livro pra mim.
Um amor solitário. Só dele.
E meu.
Um amor que não é de hoje.
Um amor terno, lúbrico e completamente sem razão de existir.
Por isso, tem tudo pra dar certo.
Só falta que eu, ao contrário de Delgadina, acorde.
E que meu "velho", enlouqueça.
P.S (atrasado): Só pra esclarecer: o amor de Memórias de minhas putas tristes é de adoração. Suave adoração.
Adoração que queima a pele de quem mal se encosta...
"...E a propósito, acrescentou com se estivesse tendo a idéia naquele exato instante, por que não se casa com ela?
Fiquei mudo.
- De verdade, insistiu, vai sair mais barato. Afinal o problema na sua idade é servir ou não servir, mas você já me disse que esse assunto está resolvido.
Atropelei: o sexo é o consolo que a gente tem quando o amor não nos alcança".
(Diego Rivera)
- Lidi
| 23:16:35 | comentários[47]. envie este texto para um amigo
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| terça-feira, 8 de novembro de 2005 |
Não entendo pessoas que assumem características do outro.
Começam a pensar igual, falar igual...
Amar igual.
Devagar, apropriam-se de frases, gestos, ideais.
Vivem o "eu" idealizado por alguém.
E acorrentam-se.
Acorrentam-se em nome da liberdade de amar em paz.
Que eu fique, então, presa, às minhas próprias amarras.
Que meus gestos sejam meus.
Que eu tenha o eterno direito de discordar.
De ser doce, salobra e azeda.
Quero poder escolher a cor dos meus pensamentos hoje.
Mudá-los amanhã.
Trocá-los na terça,
Torná-los transparentes quando precisar,
e gargalhar nos seus braços agora.
E o dia todo.
Depois ir pra casa.
Sozinha.
Cheirando a você.
E ter a deliciosa sensação de que não é só desejo.
É uma dialética louca de pernas, suor e palavras,
em meio a pensamentos, telas, livros
e, solidões.

(Diego Rivera, Estudio del maestro)
- Lidi
| 13:18:24 | comentários[32]. envie este texto para um amigo
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| domingo, 30 de outubro de 2005 |
Então, na Paulista, olho pra trás e vejo Fellini.
Fellini colorido, festivo, exuberante.
Fellini do circo. Fellini do cinema. Fellini de mim.
E ele ria. Ria do cinza de São Paulo.
Ria do meu espanto.
Fellini gostava de mulheres como eu.
E, sinceramente, gosto de homens como Fellini.
Lascivos, geniais e doces.
Doces rebeldes.
La dolce vita...
(Donnone e Omino, de Fellini)
- Lidi
| 19:11:02 | comentários[28]. envie este texto para um amigo
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| quarta-feira, 26 de outubro de 2005 |
Ronhento.
Sim, você.
Você, androceu.
Eu, gineceu.
Você que é quadrado. E pulguento.
Que me critica, brada, açoita, mas me enternece.
Você que tem ciúmes, mas mente.
Você que se esconde de medo, de subterfúgios e de rancores.
Você que adivinhou o meu dia de dor e voltou.
Você que nunca foi.
Você que me faz prosa, enquanto sou poesia.
Que me ama, mas não me entende.
Você, você, você...
- Lidi
| 14:28:27 | comentários[27]. envie este texto para um amigo
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| quinta-feira, 20 de outubro de 2005 |
Pois bem, sou a favor da liberdade.
Total.
Plena.
Mas sinto muito, não gosto de armas.
E sou de fogo.
Ariana.
Ariana. Filha de Marte.
Marte, deus da Guerra.
Empunho palavras, atiro sílabas e mato em parágrafos.
Diga o que disser, brade o que quiser.
Grite, esperneie, fale de direitos, de deveres, de constituição, de violência, de subterfúgios, de drogas, de rock´n´roll.
Tanto faz.
Mas fale.
Só que vai perdoando, estou com Monteiro Lobato.
Um país se faz de homens e livros.
Luto por isso.
Essa é a minha guerra, minha arma e minha vida.
A você, o direito de escolha.
Sem mais e da paz.
Lidiane
P.S. Esse assunto me cansa.
Deviam usar esse fervor pra discutir educação.
Mas quem está interessado mesmo nisso, hum?
- Lidi
| 19:13:52 | comentários[24]. envie este texto para um amigo
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| sábado, 15 de outubro de 2005 |
Metáfora beirando à hipérbole.
Tangente com pretensões a hipotenusa.
Brisa rogando pela tempestade
e, depois de muito pensar,
sacerdotisa clamando pela loucura.
Espelho, espelho meu...
- Lidi
| 21:00:13 | comentários[25]. envie este texto para um amigo
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| sexta-feira, 14 de outubro de 2005 |
Tenho um botãozinho de desligar emoções.
Raramente toco nele e quase nem lembro que existe.
É bem útil, mas não tem volta.
Uma vez usado, já era.
É a vida...
(Tempestade, de Rembrandt)
- Lidi
| 00:07:55 | comentários[23]. envie este texto para um amigo
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| terça-feira, 11 de outubro de 2005 |
Sexta-feira, dez e meia da n.o.i.t.e:
...e então é isso, gente. Alguma pergunta?
- Professora, a senhora só da aula ou também trabalha?
**
Sábado, às oito da manhã:
- Pessoal, já coloquei a aula desta semana e as atividades das próximas semanas na homepage do curso. É só acessar.
- Professora, a senhora já colocou a aula dessa semana na homepage?
- Já (com cara de espanto).
- E vai colocar que dia?
- Annnnnnnnnnnnnnnn?
**
Na fila do elevador. Em silêncio (e sem crachá).
- Oi. Você é nova por aqui?
- Não, estou sempre aqui (prendendo o riso).
- Nunca te vi.
- Pois é, às vezes eu me escondo. (quase gargalhando).
- Por que você tá rindo?
- Rindo? Euuuuuuuuuuu? Tou não.
- Ahhhhhhh... e você vai pra que andar?
- Sexto.
- Eu também. Pô, que legal... Faz que curso?
Então, o elevador abre e três pessoas saem:
- Oi, professora.
- Oi, professora.
- Oi, professora.
Quando eu olho pro lado, cadê o menino?
E depois o John pergunta porque não quero trabalhar com ele.
Não seria tão divertido...
- Lidi
| 15:52:10 | comentários[31]. envie este texto para um amigo
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| sábado, 8 de outubro de 2005 |
Ia hoje pro Guarujá. Ia. Não fui.
Droga, droga, droga.
Ainda por cima acordei torta de cólica.
Responsável, fui trabalhar.
Perdi minha carteira.
Perdi meu humor.
Cancelei TODOS os meus cartões.
E então... achei minha carteira.
O humor, temporariamente, continua sumido.
Que foi?
Também fico de bode, ué...
- Lidi
| 15:11:57 | comentários[19]. envie este texto para um amigo
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| quinta-feira, 6 de outubro de 2005 |
Post Scriptum
(ou P.S.)
Nem sempre o que parece ser dito, é o que foi escrito.
Por isso, faço das entrelinhas minha camareira.
Ela me veste, ela me despe.
Então: uma reza de joelhos pode ser das mais profanas.
Estremecimento, puro gozo.
E a chuva...
Ai, a chuva...
(Madonna, de Munch)
- Lidi
| 18:33:09 | comentários[19]. envie este texto para um amigo
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| terça-feira, 4 de outubro de 2005 |
O homem de vento deixou a barba crescer dois dias só pra me arranhar.
Tem olhos que derretem todas as minhas geleiras,
mãos que desfazem meu concreto
e voz de general.
Mora no mar, dorme na lua e tem um defeito.
O homem de vento é mais baixo que eu.
Mas, mulher tempestade que sou, já resolvi.
Pra compensar a altura, me ajoelho.
E, de boca aberta, olhos fechados e coração disparado,
rezo.
Rezo tanto que meus pecados se desfazem,
meu corpo estremece e em milagre, faço chover.
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